FAUNA

          A descrição e análise da fauna da Mata Atlântica em geral, mesmo sucintas, tornam-se difíceis devido à precariedade dos levantamentos faunísticos existentes e da intensiva destruição generalizada dos habitats originais, que resultaram em ampla redução das áreas de distribuição da maioria das espécies e ocorrência, na atualidade, de grande número de pequenas populações disjuntas, algumas meramente residuais, abrigadas precariamente em reduzidas parcelas isoladas de um território outrora contínuo. Mesmo antes desses efeitos devastadores da ação antrópica, a biota da região já sofrera as conseqüências das sucessivas alterações climáticas ocorridas no Quaternário, que seguramente produziram sucessivos episódios de extinção, desequilíbrio ecológico, migração, fragmentação das populações e surgimento de novas espécies e subespécies.

            Na atualidade, a fauna das florestas atlânticas permanece rica em diversidade biológica, com pouquíssimas espécies já descritas totalmente extintas, mas as populações remanescentes, via de regra, estão subdivididas e representadas em muitos casos por apenas um número perigosamente reduzido de indivíduos, quando não localmente extintas.

            A dinâmica de sobrevivência da fauna está intimamente ligada às necessidades peculiares a cada grupo ou espécie, os quais apresentam diferentes hábitos, sejam alimentares, de nidificação, abrigo, etc.

Desta forma, existem aqueles de hábitos mais gregários, outros executam grandes deslocamentos, outros são territorialistas, vivendo solitários, reunindo-se a outros em períodos reprodutivos, alguns vivem em grupos durante toda vida, enfim, ocorrem diversas formas de sobrevivência.

 

Fauna da Serra do Lopo

 

            Como já foi descrito anteriormente a Serra do Lopo congrega diferentes formações vegetais, e este fator, conseqüentemente influencia a distribuição da fauna.

Na Floresta Ombrófila Densa, a fauna é diversificada, com elementos que utilizam de recursos específicos disponíveis nos diferentes estratos de vegetação. Cita-se o inhambuguaçu (Crypturellus obsoletus) como espécie tipicamente florestal que utiliza o solo.

No estrato inferior ocorrem o papa taoca (Pyriglena leucoptera), o pula pula assobiador (Basileuterus leucoblepharus) e o tiê de topete (Tricothraupis melanopis).

No estrato médio e copas das árvores existe uma maior riqueza de aves, dentre elas o tangará dançarino (Chiroxiphia caudata), o jacu açu (Penelope obscura), o bem te vi de bico chato (Megarhynchus pitangua), o cabeçudo (Leptopogon amaurocephalum), o pitiguari (Cyclarhis gujanensis), psitacídeos como a jandaia de barriga vermelha (Aratinga solstitialis auricapilla) e predadores como o gavião acauã (Herpetotheres cachinnans).

O pavó (Piroderus scutatus), vive no interior da mata densa e a tesourinha da mata (Phibalura flavirostris), sobre o alto dossel; essas duas espécies encontram-se em processo de extinção no Estado de Minas Gerais.

            Esses habitats florestados são extremamente importantes para a fauna, posto que, muitas espécies generalistas os utilizam, e outras são seletivas desse ambiente, com dependência exclusiva, como o sauá (Callicebus personatus), a irara (Eira barbara), a paca (Cuniculus paca), o caxinguelê (Sciurus aestuans), dentre outros.

A floresta Ombrófila Mista, encontrada mais às meias encostas da Serra do Lopo constitui elemento importante como suporte alimentar para roedores como a paca e o caxinguelê, dentre outros.

As Florestas Semideciduais embora se apresentem muito degradadas e comumente em estágio secundário de regeneração são muito importantes e atuam como corredores ecológicos, que, associados às demais formações florestais são altamente relevantes na manutenção da riqueza e diversidade da fauna.

As capoeiras, embora representem um estágio seral, em decorrência de sua complexidade, oferecem, um grande número de nichos e recursos para a fauna. A diversidade de microambientes ocasiona uma maior ocorrência de espécies.

As espécies citadas como de ocorrência para ambientes de mata freqüentam as capoeiras, usualmente encontradas entre as matas e outras formações vegetais. Apesar destas espécies serem dependentes de mata para sua reprodução, as capoeiras conformam uma importante zona de tampão para as demais formações nativas.

 

 

Mamíferos da Serra do Lopo

 

 

Didelphis sp. ( Gambá )

 

Os gambás são animais noturnos, arbóreos e terrestres e normalmente solitários.

Alimentam-se de insetos, vermes e pequenos vertebrados, incluindo cobras. Parte de sua alimentação é composta de frutas e na estação seca alimentam-se de néctar.

Têm hábitos escansoriais, subindo em árvores para alimentar e descansar.

Faz seus ninhos com folhas em forquilhas e na folhagem densa. Podem ocupar ocos de árvores.

Ocorrem explosões populacionais podendo ser seguida de decréscimo em anos consecutivos.

São espécies generalistas e encontram todos os atributos necessários para a sua sobrevivência na área.

Euphractus sexcinctus ( Tatu-peludo, Tatuaiva )

Dasypus novencinctus ( Tatu-galinha )

 

São espécies muito comuns na área, principalmente o tatu peludo (Euphractus sexcinctus). É uma espécie de hábitos geralmente diurno, terrestre e solitário. Alimenta-se de uma grande variedade de plantas, também inclui formigas, insetos e pequenos vertebrados em seu cardápio.

 

Callithrix sp. ( Soim, Mico-estrela )

 

Embora tenham sido avistados por mais de uma vez nas florestas da serra do Lopo, a visualização foi bastante rápida e os espécimens mostraram-se muito arisco. Por este motivo, não foi possível precisar a espécie.

Os soins têm hábitos diurnos, arborícola e forma pequenos grupos de 2 a 13 espécimes.

Alimentam-se de frutas, insetos e seiva das árvores. Morde os seus troncos para criar resina, voltando uns três dias depois para se alimentar dela. Podem visitar plantios.

Ocupam territórios de 0,5 a 5 hectares.

Dormem em folhagem densa. Vivem em florestas primárias, secundárias e galeria.

 

Alouatta fusca ( Barbado )

Callicebus personatus (Sauá)

 

C. personatus (guigó) é a maior espécie do gênero (1,2-1,4 Kg). São reconhecidas quatro subespécies: C. p. personatus, C. p. nigrifrons, C. p. menanochir e : C. p. barbarabrownae . Dessas, três encontram-se em Minas Gerais: C. p. personatus é predominantemente amarelo-pálido ou alaranjado, com a face e a garganta preta; C. p. nigrifrons é  acinzentado, com a máscara preta limitada aos lados da cabeça e à fronte, não se estendendo para a garganta, sendo a cauda vermelho-cobre; C. p. menanochir é  acinzentado, com  marrom na parte dorsal da cauda e na parte basal das costas. A espécie alimenta-se principalmente de frutos e folhas e vive em grupos familiares monógamos. A espécie tem sido registrada em diferentes tipos de florestas, incluindo caatinga e mata de galeria, mas sempre com distribuição em manchas. É considerada ameaçada pela caça e pela destruição de habita (Coimbra-Filho 1972). C. p. personatus ocorre no Espírito Santo, estendendo-se a leste e nordeste de Minas Gerais, do norte do Rio Doce à margem direita do rio Jequitinhonha . Sua distribuição também estende-se ao norte do Rio de Janeiro, no limite com o Espirito Santo, no município de Campos (M. C. M. Kierulff), até a área de ocorrência de C. p. nigrifrons. C. p. nigrifrons possui a distribuição mais ampla das quatro subespécies, ocorrendo em grande parte de Minas Gerais e São Paulo, ao norte do rio Tietê, e leste do rio Paraná e Paraíba. Provavelmente a subespécie já desapareceu de grande parte do Rio de Janeiro. Rylands et al.(1988) apresentaram evidências de que C. p. personatus ocupa uma área maior no norte de Minas Gerais do que foi indicado por Hershkovitz (1988,1990), estendendo-se a oeste ao longo das margens norte e sul do rio Jequitinhonha, alcançando pelo menos a localidade de Buenópolis (Kinzey 1982). No entanto,são necessários levantamentos para definir os limites de distribuição desses animais, especialmente ao longo do vale do rio Doce e a leste de Minas Gerais. C. p. menanochir ocorre no sul da Bahia, mas ocupa também uma pequena área ao norte do baixo rio Jequitinhonha em Minas Gerais ( Rylands et al.1988). Os guigós podem ser encontrados em diversos tipos de hábitat, como floresta pluvial alta, floresta sazional/ semidecidua, caatinga arbórea e mata de galeria. Os parâmetros ecológicos e comportamentais do gênero Callicebus foram revisados por Kinzey (1981). De modo geral,  C. p. personatus pode ser ser caracterizado como frugívoro-folivoro, ocupando uma pequena área de uso (11-24ha) e vivendo em pequenos grupos monógamos de dois a seis indivíduos (Kinzey 1981, Kinzey & Becker 1983, Muller 1996). A ecologia e o comportamento de C. p. nigrifrons foram estudados na Reserva Particular do Patrimônio Natural de Galheiros, Nova Ponte, em Minas Gerais, por Néri (1997), e estão sendo estudados no momento na Reserva Florestal da Fazenda Lagoa (cerca de 150ha), no sul de Minas Gerais.

 

PRINCIPAIS AMEAÇAS

 

Considerando-se a espécie pode sobreviver mesmo em pequenos fragmentos florestais, em termos regionais a caça torna-se o principal fator responsável pela extinção de populações locais. A destruição do habitat em grande escala tem resultado no isolamento pequenas populações, e a espécie está ausente de grande parte de sua área de distribuição (Santos et al. 1987, Oliver & Santos 1991). c revisaram o status e a distribuição de C. p. personatus e C. p. menanochir no sul da Bahia e no Espírito Santo. c está extinto em grande parte de sua área de ocorrência.                                      

 

Chrysocyon brachyurus ( Lobo-guará)

Dusicyon thous ( Cachorro-do-mato )

 

O lobo guará distribui-se por quase todo o Brasil. Estes animais são solitários e noturnos e podem ter pico de atividade ao crepúsculo, sendo que os machos são mais ativos que as fêmeas. As longas pernas do guará têm sido atribuídas à necessidade de adaptação à vida em ambientes de gramíneas. A espécie consta da lista de animais brasileiros ameaçados de extinção.

Os cachorros do mato ocorrem em quase todo o Brasil.

O cachorro do mato freqüenta áreas florestadas e abertas, podendo ser encontrado nas proximidades de áreas habitadas, pomares e locais de deposição de lixo, assim como ao longo de rodovias.

 

Procyon cancrivorus ( Mão-pelada )

Nasua nasua ( Coati )

 

O mão pelada é um animal noturno, terrestre, mas sabe escalar bem e tem hábito solitário.

Alimenta-se de moluscos, peixes, caranguejos, anfíbios, insetos e frutas.

A alimentação de caranguejos é restrita a áreas próximas a coleções de água como pântanos, rios e praias.

Abrigam-se em tocas e buracos em árvores.

O coati é uma espécie diurna, que pode ser observado em bandos de mais de cinqüenta indivíduos.

São onívoros, comendo ovos de aves, filhotes, pequenos vertebrados, assim como vegetais.

 

Conepatus semistriatus ( Jaritataca )

Eira barbara ( Irara )

 

A jaritataca é um animal noturno, terrestre e solitário.

Alimenta-se de insetos, invertebrados, pequenos vertebrados e ocasionalmente frutas.

Dorme em tocas no chão ou em árvores.

Não são animais de florestas, ocorrem em pastagens, clareiras, áreas cultivadas e cerrado.

A irara é uma espécie florestal, carnívora, de hábitos diurnos. Anda no solo e escala muito bem as árvores.

 

Felis pardalis ( Jaguatirica )

Felis yagouaroundi ( Gato mourisco )

Felis concolor ( Sussuarana, Onça-parda )

 

A jaguatirica tem hábitos noturno e diurno, terrestre e vive solitária.

É carnívora, alimentando-se de roedores, pássaros, cobras e lagartos, pequenos mamíferos e vertebrados. Caça geralmente no chão. Raramente sobe em árvores a não ser para transpor obstáculos como cursos d'água ou para descansar.

Ativa principalmente à noite, muitas vezes é encontrada em trilhas feitas pelo homem. Em atividade diurna tende a se esconder em meio à vegetação densa.

Adaptam-se a habitats alterados ou proximidades de vilas e fazendas.

O gato mourisco é um animal de hábitos diurno e noturno, terrestre, podendo subir em árvores. Vive solitário ou aos pares.

Alimenta-se de pássaros, répteis e pequenos mamíferos. Demarca uma grande área como território.

Vive em tocas ou sob árvores caídas ao chão, no cerradão ou vegetação secundária próximo a áreas antrópicas onde pode atacar aves domésticas. É mais comum em florestas secundárias.

A onça sussuarana tem hábitos noturnos e diurnos, terrestre e solitária.

Alimenta-se de médios e grandes mamíferos como veado, paca e cutias, além de cobras e ratos.

Vivem em áreas secas.

São ariscos e fogem do homem. São raramente vistos onde são comuns.

Ataca animais domésticos quando tem seu habitat alterado e a caça  reduzida, sendo por isso caçado por fazendeiros. Esse procedimento não foi evidenciado na área, embora relatem a ocorrência da espécie como freqüente.

É um dos mais adaptados dos felinos.

 

Mazama sp. ( Veado )

 

Alimenta-se de frutas, fungos, brotos e flores caídas. Os brotos são o principal alimento quando os frutos são escassos na estação seca.

Esses veados preferem a vegetação densa com herbáceas abundantes, habitando também áreas de pântano, beiras de rios e velhas plantações, mas forrageiam principalmente nas florestas.

São adaptados a vida na floresta, com suas pernas compridas e chifres simples.

São encontrados em matas primárias e secundárias, florestas galerias, bordas das florestas e áreas de plantio e nas savanas próximas às florestas.

 

Coendou preensilis ( Ouriço, Porco-espinho )

 

Noturno, arbóreo e solitário.

Alimenta de sementes de frutas verdes ou maduras, coquinhos e às vezes folhas.

Seu ambiente preferencial é a vegetação secundária e florestas, usando os extratos médio e superior da vegetação.

Não sabem saltar, precisando descer ao chão para transpor áreas entre uma árvore e outra.

De dia vivem em buracos nas árvores.

 

Agouti paca ( Paca )

 

Noturna, terrestre, solitária, raramente em pares.

Alimenta de frutos caídos, brotos e alguns tubérculos.

São mais comuns próximos a água desde os grandes rios até as pequenas correntes e também nas áreas pantanosas de densa vegetação, mas algumas vezes é vista também na floresta aberta longe da água.

Vivem em pares monogâmicos em pequenos territórios, mas forrageiam sozinhos.

De dia o macho e a fêmea entocam separados em grandes buracos com uma entrada principal, escondida com folhas. Esses buracos são em locais secos permanentes próximos a água.

É encontrada na floresta primária e secundária, florestas galeria, montanhosas e plantações.

A paca é uma espécie que historicamente é caçada devido ao sabor de sua carne.

Sylvilagus brasiliensis ( Coelho-do-mato, Tapeti )

Noturno, terrestre, solitário.

Alimenta de gramíneas e brotos.

Comumente vistos ao cair da noite próximo às casas, jardins e plantações.

Quando perturbados entocam em buracos cavados sob a vegetação densa.

Na floresta, longe do meio antrópico eles ocorrem em pântanos e ao longo das margens de rios.

 

São atraidos pelo sal e pela urina humana que contém sal.

 

Aves da Serra do Lopo

 

Crypturellus obsoletus ( Inhambuguaçu )

Crypturellus parvirostris ( Inhambu-xororó )

Nothura maculosa ( Codorna buraqueira )

 

São aves de aparência galinácea; significativa família endêmica do neotrópico.

Alimentam-se não só de bagas, frutas caídas, como folhas e sementes duras. Procuram pequenos artrópodes e moluscos que se escondem no tapete da folhagem apodrecida; viram folhas e paus podres com o bico à procura de alimento.

As codornas apanham carrapatos nos pastos e aproveitam da movimentação do gado no meio da vegetação para apanhar insetos quando são espantados.

Predadores naturais são, por exemplo, gatos do mato, raposas, guaxinins, iraras, furões, iraras, gambás, gaviões e corujas.

Também os ninhos podem ser saqueados, por exemplo, por cobras, macacos, gambás e até mesmo pelo tamanduá bandeira.

Isso lhes confere um importante papel na cadeia alimentar.

Estão entre as mais importantes aves cinegéticas brasileiras, fornecendo à população rural parte das proteínas indispensáveis; foi calculado, por exemplo, que no Ceará, uma família de sete elementos consome por ano cerca de 60 codornas, além de 200 pombas e rolinhas e vários mamíferos.

Os Tinamidae são troféus cobiçados por qualquer caçador, seja o macuco, a peça mais nobre, seja a perdiz ou a codorna, levantadas pelo perdigueiro nos campos, para o tiro da caça em vôo.

O xororó, o chintã e as codornas aproveitam do desmatamento e se infiltram até em áreas cultivadas.

A área de estudos apresenta-se muito favorável à todas as espécies registradas devido à variação de habitats, desde os mais preservados e necessários a certas espécies, como as florestais, até as espécies campestres, ou que vivem também em ambientes antropizados como a codorna e os inhambus.

Não foram registradas atividades de caça no município de Extrema. Ao contrário, a população repudia essas ações, envolvendo-se em processos de preservação da fauna.

 

Podiceps dominicus ( Mergulhão pequeno )

Podilymbus podiceps ( Mergulhão )

 

Compreende um grupo de vasta distribuição, porém, no Brasil é modestamente representado.

Alimentam-se de peixinhos, larvas ou imagos de insetos aquáticos, crustáceos e vegetais e até mesmo, cobras d’água.

Apanham geralmente o alimento sob a água, mergulhando com afinco.

Têm cerimônias pré-nupciais. Fazem um volumoso ninho flutuante, sendo todo o material molhado. Põem de quatro a seis ovos.

Os filhotes, no início negros, trepa sobre o dorso materno, que os leva nadando, ou abriga-os sob as asas.

 

Casmerodius albus ( Garça-branca-grande )

Egretta thula ( Garça-branca-pequena )

Butorides striatus ( Socozinho )

Bubulcus ibis ( Garça vaqueira )

 

São aves de vasta distribuição, sendo a maioria paludícolas.

São tidas como destruidoras da ictiofauna, o que não é verdade, pois os peixes são apenas parte de sua dieta. Apanham igualmente insetos aquáticos ( imagos e larvas ), caranguejos, moluscos, anfíbios ( até sapos do gênero Bufo ) e répteis.

Casmerodius engole às vezes cobras e preás; o socó grande, ocasionalmente, jacarés pequenos.

Bubulcus é um representante mais insetívoros.

Vários representantes são migratórios.

A garça vaqueira ( Bubulcus ibis ) é uma espécie africana recentemente imigrada para o Brasil.

Não foram registradas populações significativas de Ardeideos vivendo em colônia na área.

O vale do Matão apresentou-se como a área onde essas aves ocorrem com maior abundância, devido à formação de açudes onde se desenvolvem ambientes paludícolas com vegetação aquática, águas rasas e outras características de hábitats propícios à sobrevivência dos representantes desse grupo.

 

Amazonetta brasiliensis ( Marreca-de-pé-vermelho )

 

São aves paludícolas que vivem a beira d'água alimentando-se de pequenas sementes e folhas, gostam muito de arroz, apanham vermes, larvas de insetos e pequenos crustáceos.

Os anatídeos são espécies cinegéticas que sofrem intensa perseguição pelo homem.

São aves sujeitas ao envenenamento por agrotóxico usados nos plantios agrícolas, por ingestão de alimento contaminado.

 

Coragyps atratus ( Urubu-de-cabeça-preta )

Cathartes aura ( Urubu-de-cabeça-vermelha )

 

São aves que passam grande parte do tempo sobrevoando os diversos ambientes à procura de alimento.

Como consumidores de carne em putrefação desempenham importante papel saneador, eliminando matérias orgânicas em decomposição.

 

Elanus leucurus ( Gavião-peneira )

Buteo albicaudatus ( Gavião-de-rabo-branco, Gavião-caçador )

Buteo magnirostris ( Gavião-carijó )

Heterospizias meridionalis ( Gavião-caboclo )   

Buteogallus urubutinga ( Gavião-preto )

 

Formam grande família cosmopolita, bem representada na América do Sul.

As espécies brasileiras mostram nítida preferência por artrópodos como gafanhotos, percevejos, formigas, vespas cupins e aranhas; caçam também répteis, anfíbios e roedores.

Essas espécies têm papel indispensável no equilíbrio da fauna como reguladores da seleção.

Os gaviões em sua maioria estão ameaçados pela destruição ambiental e caça indiscriminada.

No caso da área estudada, essas aves encontram habitats preservados e boas condição de sobrevivência.

 

Herpetotheres cachinans ( Acauã )

Milvago chimachima ( Gavião-carrapateiro )

Polyborus plancus ( Caracará, Carancho )

Falco femoralis ( Falcão-de-coleira )

Falco sparverius ( Quiri-quiri )

 

Assim como os Accipitridae apresentam características semelhantes e encontram boas condições de sobrevivência na área, sendo registrados em toda ela, e as espécies são de ampla ocorrência no País.

 

Penelope obscura ( Jacu-açu )

 

Esta Família abarca os mais importantes galináceos. São os únicos galiformes arborícolas.

Pertencem às mais importantes aves cinegéticas.

Habitam a mata, a capoeira baixa, capões de mata, o que determina que o ambiente florestal ocorrente na área é vital para ela.

Embora o jacu-açu esteja ameaçado de extinção, ele é muito comum nas florestas do município de Extrema.

 

Odontophorus capueira ( Uru, Capueira )

 

È o grupo de maior importância no Velho Mundo, escassamente representado neste continente; a ele pertence a galinha doméstica, o pavão da Índia e os faisões, os quais deram o nome à família.

A uru é uma espécie terrícola. É um pequeno galináceo florestal topetudo. Os sexos são semelhantes. O canto é uma vigorosa e sonora seqüência de pios bissilábicos.

Cisca no chão, comendo pequenos artrópodes, moluscos, bagas e sementes.

É uma espécie cinegética apreciada, caem facilmente em arapucas.

Consta da lista de espécies ameaçadas de extinção em Minas Gerais.

 

Aramides cajanea ( Saracura-três-potes )

Porzana albicollis ( Saracura-sanã-carijó )

Gallinula chloropus ( Frango-d'água-comum )

 

São aves que habitam as coleções de água onde haja vegetação, através da qual se escondem.

São onívoros, gostam de capim e brotos de milho, tanto quanto pequenas cobras d'água. Tiram insetos e larvas do estrume de gado depositado perto dos brejos.

São espécies comuns na área, tendo ambientes largamente espalhados, que lhes favorecem a sobrevivência.

 

Cariama cristata (Seriema)

 

Espécie bastante comum na área.

Come gafanhotos e outros artrópodes, roedores, calangos e outros animais pequenos, inclusive, ocasionalmente ofídios, o que lhes confere a simpatia dos fazendeiros.

 

Jacana jacana ( Jaçanã )

 

Ave de hábito aquático, sendo uma das mais comuns no País. Seus grandes dedos lhes permite caminhar sobre a vegetação aquática flutuante.

 

Vanellus chilensis ( Quero-quero )

 

São aves cosmopolitas.

O quero-quero é uma das aves mais populares do País, estando presente em toda a área onde haja ambiente campestre, principalmente nas proximidades de água.

 

Columba picazuro ( Pomba-asa-branca, Verdadeira )

Columba cayennensis ( Pomba-galega )

Columba plumbea ( Pomba-amargosa )

Columba livia ( Pombo-comum )

Zenaida auriculata ( Pomba-de-bando, Avoante )

Columbina talpacoti ( Rolinha-caldo-de-feijão )

Scardafella squammata ( Fogo-apagou )

Leptotila varreauxi ( Juriti-pupu )

Leptotila rufaxilla ( Juruti-gemedeira )

 

São aves de ampla distribuição. Normalmente são granívoros e frugívoros. Distribuem-se por toda a área de estudos nos diversos ambientes que cada espécie ocupa. São aves muito utilizadas como caça.

Muitas espécies são utilizadas como xerimbabos, ou seja, criadas como aves de estimação.

 

Ara maracana ( Maracanã )

Aratinga leucophthalmus ( Maritaca, Maracanã )

Aratinga solstitialis auricapilla ( Jandaia-sol ) PA

Aratinga aurea ( Periquito-rei, Cabeça-de-côco )

Pyrrhura frontalis ( Tiriba-de-testa-vermelha )

Forpus xanthopterygius ( Tuim-de-asa-azul )

Brotogeris chiriri ( Periquito-de-encontro-amarelo )

Pionus maximiliani ( Maitaca-bronzeada )

 

Aves distribuídas pela zona tropical do globo, de onde se irradiam a áreas subtropicais e até frias como a Patagônia.

O Brasil é o País mais rico do mundo em Psittacidae.

Procuram seu alimento nas copas mais altas das árvores, como em certos arbustos frutíferos.

Apreciam frutos como goiaba, laranja, etc. Aproximam-se dessa forma dos pomares das cidades e sedes de fazendas.

Os cocos de palmeiras são muito apreciados pelas espécies.

Árvores velhas e ocas propiciam a nidificação das espécies, assim como cupinzeiros abandonados.

Os psitacídeos são muito procuradas como aves de estimação.

 

Piaya cayana ( Alma-de-gato )

Crotophaga ani ( Anu-preto )

Guira-guira ( Anu-branco )

Tapera naevia ( Saci, Sem -fim )

 

São espécies cosmopolitas, essencialmente carnívoros, comendo gafanhotos, percevejos, aranhas, miriápodes, etc.

Todas as espécies listadas são muito comuns na área. Encontram todos os atributos necessários para a sua sobrevivência.

 

Tyto alba ( Suindara, Coruja-das-torres )

 

São aves esbeltas, de cara comprida e disco facial em forma de coração, ao contrário de outras corujas de rosto redondo.

Vivem nas proximidades de habitações humanas e caçam ratos à noite, com afinco. Estão entre as aves mais úteis do mundo, no que se refere à economia do homem.

Come pequenos vertebrados, roedores, marsupiais, morcegos, anfíbios, répteis e pequenas aves.

Prefere nidificar em sótão de casas velhas, forros e torres de igrejas, pombais e grutas.

 

Otus choliba ( Corujinha-do-mato, Corujinha-de-orelha )

Speotyto cunicularia ( Coruja-do-campo ou Buraqueira )

 

As corujas são aves distribuídas por todos os continentes, exceto a Antártida.

As espécies podem ter hábitos tanto noturnos como diurnos.

Na alimentação dos representantes brasileiros predominam geralmente insetos (gafanhotos, besouros, baratas, etc), e até mesmo uma coruja grande pode se alimentar, em boa parte, de insetos.

Criam em ninhos abandonados de outras aves. Põem, às vezes, no meio do capim, no solo; em árvores ocas, em buracos de pica-pau ou podem ocupar um buraco num cupinzeiro terrícola.

 

Phaetornis squalidus ( Rabo-branco-miúdo )

Phaetornis pretrei ( Rabo-branco )

Eupetomena macroura ( Beija-flor-tesoura )

Melanotrochilus fuscus ( Beija-flor-preto-rabo-branco ) EN

Colibri serrirostris ( Beija-flor-de-canto )

Chlorostilbon aureoventris ( Besourinho-bico-vermelho )

Leucochloris albicollis ( Beija-flor-de-papo-branco )

Amazilia versicolor ( Beija-flor-de-banda-branca )

Amazilia fimbriata ( Beija-flor-de-ventre-branco )

Amazilia lactea ( Beija-flor-verde-de-peito-safira )

 

Essas aves ocupam quase todos os tipos de habitats terrestres, tendo como base alimentar o néctar das flores e pequenos insetos para aquisição de proteína.

A região estudada, como é muito rica em vegetação e variedade de habitats dentro do bioma atlântico, em boas condições de preservação; oferece excelentes condições de sobrevivência a essas aves.

 

Trogon sp. ( Surucuá )

 

É uma ave de plumagem esplêndida que vive em ambiente florestal, alimentando-se de lagartas e artrópodes maiores como cigarras, besouros, aranhas e também pequenos insetos.

O registro dessa ave foi feito, através de vocalização. Por esse motivo não se pode precisar a espécie.

 

Ceryle torquata ( Martim-pescador-grande, Matraca )

É uma espécies piscívora, ligada, portanto, estreitamente ao meio hídrico onde haja peixe, que constitui sua base alimentar.

Habitam localmente os córregos, lagos e os rios.

 

Galbula ruficauda ( Ariramba-da-mata )

 

De poleiros preferidos (galhos finos) espreitam insetos que passam voando, investindo sobre eles e retornando ao mesmo local.

Capturam borboletas, abelhas, vespas, formigas aladas, pequenos besouros, cigarras e libélulas.

Vivem aos casais, nidificando em barrancos argilosos ou arenosos, geralmente dentro da mata ou em troncos podres.

 

Nystalus chachuru ( João-bobo, Fevereiro )

São aves arborícolas que se alimentam de insetos que apanham em vôo.

O joão bobo ocorre em áreas mais abertas.

 

Ramphastus toco ( Tucano toco )

Ramphastus dicolorus ( Tucano-de-bico-verde )

 

São aves arborícolas restritas ao neotrópico.

Possuem hábito alimentar basicamente frugívoro, contudo, o tucano apanha qualquer animal pequeno como aranhas, grilos e cigarras.

Saqueiam ninhos de várias espécies de outras aves.

São utilizados em muitas regiões como aves de estimação ou são caçadas para retirarem o bico como troféu, contudo, não foram observadas atividades dessa natureza na região.

 

Picumnus cirratus ( Pica-pau-anão-barrado )

Colaptes campestris ( Pica-pau-do-campo )

Colaptes ( = Chrysoptilus ) melanochloros ( Pica-pau-carijó )

Celeus flavescens ( João velho )

Dryocopus lineatus ( Pica-pau-de-banda-branca )

Leuconerpes candidus ( Pica-pau-branco, Bilro )

Veniliornis passerinus ( Pica-pau-pequeno )

 

São espécies rigorosamente arborícolas, podendo ser campestres ou florestais. Alimentam de larvas de insetos, sobretudo de besouros invisíveis sob a madeira.

Para nidificação procuram buracos em cupinzeiros, árvores mortas, sejam as que resistiram a queimadas ou que tiveram o cerne enfraquecido por fungos onde escavam, troncos de palmeiras ou embaúbas.

A área lhes oferece esses elementos em grande quantidade.

Muitas outras aves e animais incapazes de escavar troncos, beneficiam-se dos ninhos feitos por eles para ali se instalarem, o que demonstra a sua grande utilidade biológica.

 

Ordem Passeriformes

 

A Ordem Passeriformes apresenta um grande número de espécies distribuídas em muitas famílias.

Compreende aproximadamente 5100 espécies em todo mundo, portanto, 57% do total das aves vivas (mais de 9000 espécies).

As espécies citadas a seguir ocupam os diversos ecossistemas existentes na área, ocorrendo aquelas de hábitos restritos a florestas, outras campestres, sinântropas, etc.

A área delimitada para os estudos apresenta ótimas condições de sobrevivência para elas devido às condições de alimentação para espécies insetívoras, granívoras, frugívoras e principalmente para aquelas de hábito alimentar oportunista como muitos tiranídeos e demais atributos como disponibilidade de água, abrigo, etc.

As condições naturais hoje observadas no município de Extrema proporcionam a este grupo avifaunístico excelentes condições biológicas, em função da diversidade de habitats, principalmente para aquelas de hábitos florestais restritos, devido à preservação de grandes áreas remanescentes desse ambiente.

Muitas espécies dessa Ordem são procurados devido à facilidade de criação, seus dotes canoros ou como xerimbabos (estimação)

Em algumas regiões do País, esse fator levou praticamente à extinção algumas espécies como o canário da terra ( Sicalis flaveola ).

Essas espécies são alvo freqüente de contrabando dos Estados onde ainda ocorrem para aqueles onde já não existem mais.

Inferir sobre todos os grupos componentes seria o mesmo que elaborar um compêndio, o que não representa o objetivo do presente estudo, que enfatiza uma caracterização preliminar da fauna de Extrema.

 

Dados fornecidos do estudo preliminar da Oficina Ambiental da Prefeitura Municipal de Extrema sobre a fauna da Serra do Lopo